Durante toda minha vida profissional sempre tive contato com empreendedores. Alguns extremamente bem-sucedidos, outros nem tanto. Porém, todos tinham algo em comum: faziam as coisas acontecer. Eu mesmo me aventurei em diversas startups. Em algumas, que pertenciam a grandes grupos internacionais, atuei como líder da operação; em outras, fui conselheiro e em outras, fui e continuo sendo um pequeno investidor. Além disso, empreendi de outras maneiras, como no meu trabalho de autor e palestrante.

Afinal o que é ser empreendedor? A palavra empreendedor, ou entrepreneur do Inglês, tem sua origem de um verbo francês do século XIII “entreprendre”, que simplesmente significa: Começar a fazer algo. Depois surgiram diversas interpretações da palavra e grandes teóricos como Joseph Schumpeter e Peter Drucker deram suas valiosas contribuições para o tema que continua evoluindo. Todavia, gostaria de voltar aos fundamentos e ressaltar que um empreendedor é realmente aquele que faz acontecer. Quando perguntaram a Bill Gates o que o fez se tornar o homem mais rico do mundo ele disse: “Quando comecei havia muitos que, assim como eu, buscavam desenvolver ideias na área de tecnologia que poderiam revolucionar o mundo dos PCs, mas o que me diferenciou é que eu realmente agi… e agi mais rápido que todos…”

Também gostaria de revisitar aqui a noção de que é preciso ter uma ideia inovadora ou revolucionária para se tornar um grande empreendedor. Isso é falácia. Alguns dos mais bem-sucedidos empreendedores que conheço tiveram ideias simples, mas agiram e executaram suas ideias de maneira impecável. Criar uma loja de móveis e eletrodomésticos visando o público de baixa renda na década de 1950 era uma ideia revolucionária? Improvável. Porém, na execução de seu projeto, o imigrante polonês Samuel Klein passou a oferecer crédito para que essas pessoas de baixa renda pudessem comprar os produtos da loja e, assim, tornou as Casas Bahia, fundada em 1952, líder absoluta deste mercado. Samuel agiu e executou com excelência!

Carlos teve uma ideia simples. Dar aulas de inglês à noite para ganhar uma renda extra. Ele tinha algumas ideias diferentes em relação ao aprendizado de idiomas e começou a perceber que seu método gerava resultados concretos, pois seus alunos estavam realmente aprendendo a falar Inglês. Foi executando bem o seu plano de dar aulas de Inglês para complementar sua renda e de um aluno passou para dois, três, dez, vinte alunos até abrir uma escola. Daí veio outra ideia simples. “Vou abrir uma franquia de escolas de inglês usando o método que desenvolvi.” Já existiam outras franquias de idiomas, então a ideia não era nada revolucionária. Abriu uma, duas, três, dez, 20 franquias até ter uma vasta rede de centenas de franquias. Daí veio outra ideia simples. “Vou comprar uma rede de franquias de ensino profissionalizante para ampliar minha atuação no ramo de educação”. Bom, daí para a frente Carlos, mais conhecido como Carlos “Wizard” Martins, criou um império no ramo de educação que, em 2013, vendeu para o grupo Inglês Pearson por aproximadamente R$ 2 bilhões. Ele teve alguma ideia mirabolante, revolucionária? Não. Ele desenvolveu um método excelente para ensinar o idioma Inglês e executou seu método de forma primorosa. A execução excepcional de suas ideias transformou Carlos “Wizard” Martins em um dos maiores empresários do Brasil. Carlos agiu e executou com excelência!

Do outro lado do espectro existem aqueles autoproclamados empreendedores que têm muitas ideias, desejos e sonhos. Já me deparei com muitos desses “empreendedores”. Sempre têm uma ideia para revolucionar o mundo dos negócios. Contudo, na hora de executar… deixam muito a desejar. Esses autoproclamados empreendedores são na verdade apenas sonhadores. Não estou querendo dizer que basta agir para ser bem-sucedido, e sim que uma ideia simples bem executada tem muito mais probabilidade de ter sucesso do que a melhor ideia do mundo que fique apenas no campo dos sonhos. Como afirmaram os professores de Harvard, Kaplan e Norton, no livro “The strategy focused organization” (Harvard Business School, 2000), 90% das estratégias falham pela execução e não pela qualidade da estratégia.

Por estas razões, entender esse conceito é fundamental para aqueles empreendedores que já estão agindo, mas que subestimam a importância das pessoas que os ajudam na execução de seus projetos. Quem executa as estratégias de uma empresa? As pessoas! Esses profissionais devem ser escolhidos com muito cuidado, não só em relação à sua experiência e habilidades, mas principalmente de acordo com seu perfil comportamental vis-à-vis a cultura que se quer criar ou manter na empresa. Além disso, esses profissionais devem ter oportunidades constantes para o seu desenvolvimento formal ou informal, pois só assim serão criadas equipes de alta performance. Lembre-se que mesmo o mais brilhante empreendedor não faz nada sozinho. Portanto, preste atenção aos profissionais que estarão ao seu lado construindo seu sonho… digo, sua empresa!